Os empregos que ninguém quer

Ir em baixo

Os empregos que ninguém quer

Mensagem  li em Qua Dez 02, 2009 2:15 am

Embora a taxa de desemprego tenha atingido a histórica fasquia dos 9,2%, quase metade das vagas surgidas nos centros de emprego ficaram por preencher. Culpa dos trabalhadores? Ou das empresas, que não oferecem condições dignas?
(Visão, 02/XII/2009)

Procura-se carpinteiro de limpos com experiência. Contrato a termo de seis meses, oito horas por dia, descanso ao sábado e ao domingo. Salário: 450 euros. Se for pedreiro ou armador de ferro já pode ganhar 500 ou mais. E um carpinteiro de toscos... depende da empresa: há quem ofereça 490 euros; há quem vá até aos mil.

Nos anúncios de oferta de trabalho do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) estas são das profissões que mais lugares têm por preencher. E são também as que menos interessam a quem procura trabalho.

Portugal é dos países da União Europeia com menos ofertas de emprego, como revela o relatório Emprego na Europa. Segundo este documento, as ofertas, no segundo trimestre deste ano, não ultrapassaram os 0,5% do total de postos de trabalho. Ainda assim, há muitas vagas que ficam por ocupar. Em Outubro, chegaram ao IEFP mais de 11 mil propostas de emprego, tendo sido preenchidas pouco menos de 6 mil. As maiores necessidades encontram-se nas empresas de protecção e segurança, nos trabalhos não qualificados das minas, construção civil e indústria transformadora, dos serviços e do comércio.

As empresas queixam-se de que não encontram gente para trabalhar; os trabalhadores contrapõem, recordando os baixos salários, os horários nocturnos e sem regras, as constantes mudanças de posto de trabalho.

A explicação?

São vários os factores que afastam os activos de determinadas profissões. Por exemplo, o reconhecimento social. "Empregos como o de lojista ou operador de call center têm uma conotação negativa, na sociedade, estão associados a vínculos instáveis. As pessoas valorizam a pseudo-estabilidade de um contrato laboral, horários fixos e um local de trabalho fixo."

"Há um claro desajustamento entre a oferta e a procura de trabalho". Por duas razões: as ofertas "nem sempre se adequam às expectativas salariais" de quem procura emprego, nem às áreas profissionais onde se concentra a procura, esclarece aquele responsável. "Há licenciados que aceitam trabalhar em restaurantes, mas é normal que tenham outras expectativas e que não estejam disponíveis para qualquer tarefa." Horários que não encaixam na vida familiar, trabalho por turnos, empresas fora da área de residência e em locais mal servidos de transportes também explicam as vagas que, todos os meses, sobejam, nos centros de emprego. E que os desempregados podem recusar, caso as ofertas não obedeçam ao conjunto de regras que a lei definiu para proteger quem se encontra no patamar mais frágil da escala profissional. Um salário inferior ao valor do subsídio de desemprego é a primeira das regras que permitem recusar um emprego.

Pão sem mãos...
Trabalhar pela noite dentro, seis dias por semana, envolto em farinha e sob temperaturas elevadas. Quatro ingredientes que, regados com salários pouco atractivos, tornam o sector da panificação um quebra-cabeças para os empregadores. Carlos Alberto dos Santos, presidente da Associação do Comércio e Indústria da Panificação e dono de duas panificadoras, em Santa Comba Dão e Arganil, fala em "20% de vagas que ficam por preencher, no seu sector". E, às vezes, o que mais custa é manter as pessoas no lugar. Na panificação não pode haver faltas, as entregas são para cumprir ao minuto ou perde-se os clientes.

... construção sem braços
Onde há vagas deixadas pelos portugueses, os imigrantes aproveitam, como fez Adenilson, na Panificadora do Chiado. Há uma ideia feita que corresponde à realidade: os imigrantes vêm fazer o trabalho que os portugueses já não querem. "Temos um conjunto de ofertas de emprego que só os imigrantes procuram", admite o vice-presidente do IEFP, fazendo um paralelismo com a situação dos portugueses emigrados em França, nos anos sessenta e setenta. Mas não isenta de culpas os empregadores. Alexandre Rosa sabe que nem sempre as ofertas chegam aos centros de emprego de forma suficientemente clara para poderem ser encaixadas nos perfis dos inscritos. E "as empresas deviam interrogar-se sobre os motivos que fazem com que as vagas fiquem por preencher. Há empregos muito mal pagos", diz ainda. "Se oferecerem mais, as vagas preenchem-se."

Sectores carenciados
O comércio por grosso e a retalho, a restauração e o alojamento são outras áreas onde se sentem grandes carências de mão-de-obra. No primeiro caso, mais de 40% das ofertas de emprego ficam sem resposta, uma percentagem que ultrapassa os 50%, no segundo caso.

Entre as razões dos empregadores e as razões dos trabalhadores fica a certeza de que, embora não sejam abundantes, há empregos à espera de serem ocupados. Mas, como diz o artigo 23º da Declaração Universal dos Direitos do Homem, "toda a pessoa tem direito ao trabalho e à livre escolha do trabalho", bem como a "uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme à dignidade humana".

Penso que a reflexão deve ser séria.

flower
avatar
li
Admin
Admin

Número de Mensagens : 388
Idade : 46
Localização : Faro
Reputação : 0
Data de inscrição : 27/10/2008

Ver perfil do usuário http://liforum.forumeiros.com

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Os empregos que ninguém quer

Mensagem  primata em Ter Dez 08, 2009 12:51 pm

affraidÉ VERDADE SIM li
avatar
primata
Caloira(o)
Caloira(o)

Número de Mensagens : 239
Reputação : 3
Data de inscrição : 25/11/2008

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum